O documentário “Rolê – Histórias dos Rolezinhos“, do diretor Vladimir Seixas, acaba de conquistar no último domingo (15) o Grande Prêmio Visão (Vision Award – Grand Prize), na 25ª edição do Flickers’ Rhode Island International Film Festival (RIIFF), realizado em Providence e Newport, Rhode Island (EUA) entre os dias 9 e 15 de agosto.

A premiação é dedicada a filmes capazes de quebrar barreiras culturais internacionais e tocar as pessoas ao redor do mundo. Para acessar a lista completa de filmes premiados no Flickers’ Rhode Island International Film Festival 2021, clique aqui.

O filme, que ainda não tem data de estreia no Brasil, fez sua estreia mundial na última quinta-feira (12) e levou para fora do país uma importante discussão sobre racismo, discriminação, ocupação do espaço e resistência do povo negro e periférico.

“Espero que essa estreia mundial e a premiação possam impulsionar a estreia no Brasil; estamos ansiosos para mostrar o filme aqui e ver como ele será debatido. “Rolê” traz temas a partir do fenômeno dos Rolezinhos muito atuais, infelizmente. O debate no festival foi extremamente positivo”, conta o diretor Vladimir Seixas. 

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O longa foi filmado entre 2018 e 2020 e conta com três importantes personagens do movimento dos rolezinhos e seus desdobramentos: Jefferson Luís, o organizador de um dos primeiros e maiores rolezinhos, eleito uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil pela Revista Época, em 2014; a artista e performer mineira Priscila Rezende, que orientou uma ação coletiva em um shopping (organizada pela produção para o filme) baseada em sua performance “Bombril”, de 2010; e Thayná Trindade, empreendedora negra e fundadora da Uzuri Acessórios, que organizou uma manifestação dentro do shopping Plaza em Niterói/RJ após sofrer racismo por parte de um vendedor de loja, em um caso que viralizou nas redes sociais, em 2014.

Com imagens de arquivos e da imprensa, fica nítida a conexão entre todas as narrativas apresentadas e o racismo praticado de forma cada vez mais explícita,  culminando no resultado das eleições em 2018 e se destacando em casos como o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em uma rede de supermercados no Brasil e de George Floyd, nos Estados Unidos. Neste cenário, Vladimir documentou a perseguição, a criminalização e a violência a partir dos três personagens, que participaram de rolezinhos e trouxeram suas memórias, marcas e traumas para a tela, em um documentário que encontra nos rolezinhos um capítulo revelador da história da luta do povo preto no Brasil dos últimos anos.

A produção conta também com cenas do curta-metragem Hiato (2008), também do diretor, que aborda o famoso episódio de agosto de 2000, em que cerca de 130 manifestantes ocuparam o shopping RioSul, na zona sul do Rio de Janeiro. Na ocasião não houve violência física, mas houve evidente discriminação e racismo, e o movimento atualmente é considerado o precursor dos chamados rolezinhos, que ganhariam força a partir de 2013, com Jefferson Luís, e estão retratados no filme.


Com trilha sonora original de Mano Teko e Grand Master Matarazo, com participação também da banda Axial e Djonga, o documentário apresenta episódios muitas vezes justificados como “fatos isolados” e explica como todos estão conectados e motivados pelo racismo e pela privação de acesso aos espaços a essas pessoas.