Ano Internacional das Línguas Indígenas (2019): 92 filmes sobre cultura indígena estão disponíveis online pela Unesco

Recentemente 92 filmes sobre a cultura indígena foram disponibilizados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no canal do Youtube da Organização, com legendas em inglês e espanhol. As produções integram o Festival de Cinema Indígena Online (realizado em junho deste ano), iniciativa que faz parte das ações do Ano Internacional das Línguas Indígenas (IYIL2019). O foco são obras feitas na América Latina e Caribe, e variam entre curtas e médias-metragens, documentários, animações e produções inspiradas em contos das tradições populares de cada povo.

Na seleção estão documentários brasileiros sobre a vida das etnias Kalapalo e Kawaiwete. O Festival conta ainda com diretores profissionais do Chile, Colômbia, México, Peru, Argentina e Bolívia, e os filmes falam do conhecimento indígena sobre o meio ambiente, educação, produção e consumo sustentáveis, preservação do patrimônio cultural e natural e o papel das mulheres indígenas.

Inhu Kalapalo – 2012 (Brasil)
68 Voces: My Face Dies: Totonaco (México)

Entre as línguas que estão nos filmes estão o Damana (Povo Wiwa), Kamëntsá, Awápit, Namtrik (Povo Misak), Nasa yuwe, Mojeño Ignaciano, Chacobo, Chiquitano, Kalapalo, Matlatzinca, Tojolabal, Tojono, Otomí, Waorani, Movima, Machineri, Cavineño, Huasteco, Yaqui, Tseltal, Huichol, Qhas Qut Suñi Urus, Uru Chipaya, Moré, Tsimane, Ch’ol, Mayo, Purépecha, Seri, Cucapá, Weenhayek, Náhuatl, Nasa yuwe, Guaraní, Mosenten Beni, Kayabi/Kawaiwete, Millcayac, Matapi, Tinigua, Tehuelche, Guaná, Chaná, Uru uchumataqu, Tapiete, Awajún, Quechua, Amahuaca, Taushiro e o Sapanish.

Resultado de imagem para Year of Indigenous Languages 2019

Todo ano a ONU (Organização das Nações Unidas) elege um tema relacionado a aspectos relevantes à humanidade para ser abordado e discutido. O  assunto escolhido para 2019 é a preservação de línguas indígenas em extinção no mundo e foi definido ainda em 2016, por recomendação do Fórum Permanente sobre Assuntos Indígenas, que na época afirmou que 40% das estimadas 6.700 línguas faladas em todo o mundo corriam o risco de desaparecer.

De acordo com o Atlas das Línguas Indígenas da Unesco, as línguas faladas pelos povos indígenas estão desaparecendo em velocidade preocupante e somente no Brasil, pelo menos 190 idiomas estão em risco de se perder. Atualmente, existem por volta de 6 a 7 mil línguas no planeta.

“Celebrar o IYIL2019 ajudará a promover e proteger as línguas indígenas e a melhorar a vida daqueles que as falam. Contribuirá para alcançar os objetivos estabelecidos na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e na Agenda 2030 sobre Desenvolvimento Sustentável.“, afirma o texto de apresentação disponível em inglês no site do Ano Internacional das Línguas Indígenas (IYIL2019).

ENQUANTO ISSO NO BRASIL…

No início de 2019, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) declarou apoio e parceria na iniciativa da Unesco, porém, com a eleição de Jair Bolsonaro, o país assiste o aumento dos ataques contra terras indígenas. O presidente criticou a extensão das demarcações de terras indígenas, ao discursar pela primeira vez na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

Na última terça-feira (1o/10), Bolsonaro, que tem ignorado a Agenda 2030 da ONU, atacou novamente os direitos da população indígena e a defesa do meio ambiente; em discurso a garimpeiros de Serra Pelada (PA) em frente ao Palácio do Planalto o presidente afirmou que “o interesse na Amazônia não é no índio, nem na porra da árvore, é no minério”.

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