Setembro Amarelo: 10 filmes sobre suicídio e depressão que podem ajudar na conscientização e no debate

Desde 2015 o mês de setembro passou a ser o Setembro Amarelo, campanha realizada pelo Centro de Valorização a Vida (CVV) para conscientização sobre suicídio no Brasil e no mundo. A depressão e o suicídio são temas cada vez mais presentes na nossa sociedade e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, no mundo. De acordo com o relatório “Suicídio no Mundo – Estimativas Mundiais de Saúde” mais recente, de 2016, o suicídio está entre as vinte principais causas de morte em todo o mundo e atinge cerca de 800 mil pessoas todos os anos.

E como a melhora deste quadro se dá pela prevenção, é importante que as pessoas estejam alertas com relação a amigos e pessoas próximas. A participação de quem está em volta é fundamental, ajudando a entender e perceber sintomas indicadores de um quadro depressivo que pode levar ao suicídio.

Para ajudar na conscientização e no diálogo especialmente com aqueles que estão próximos a quem sofre de depressão e possíveis pensamentos suicidas, fizemos uma lista com 10 produções audiovisuais que abordam de alguma forma o tema do suicídio e da depressão, e que podem servir de alerta. São filmes em que o assunto pode ser o protagonista ou o que motiva o desencadear da história, mas neles estão presentes cenários possíveis para a doença e para o grande tabu que é o suicídio.

Importante: os filmes podem conter gatilhos para pessoas com depressão.

Confira!

1. Canção de Volta | dir. Gustavo Rosa de Moura | 2016 | 14 anos |

O filme apresenta o casal Eduardo (João Miguel) e Julia (Marina Person), que têm dois filhos e passam por um grande crise na relação, envolvendo ciúmes, controle. Embora o foco do longa seja se aprofundar na complexidade das relações amorosas, o suicídio é o ponto de partida para agravar ainda mais o momento delicado da vida conjugal dos dois. Em um determinado dia, Eduardo chega em casa e descobre que sua mulher tentou se matar; isso vai reverberar em todos os conflitos seguintes, principalmente pela tensão constante causada pelo medo de uma nova tentativa por parte da mulher.

2. As virgens suicidas | dir. Sofia Coppola | 1999 | 12 anos |

O longa dirigido pela premiada diretora Sofia Coppola tem como personagens centrais as cinco irmãs de uma família americana da década de 70, extremamente controladora e conservadora. As garotas são privadas de convivência com o mundo externo e passam por dificuldades dentro de cada, como um relacionamento distante com os pais e sentimentos reprimidos. o que acaba desencadeando
um processo depressivo nas personagens. E é quando uma das meninas, de apenas 13 anos, comete suicídio, que a situação fica ainda mais complicada na família e leva as outras irmãs a fazerem o mesmo. O filme também é baseado no livro homônimo de Jeffrey Eugenides e mostra como o contexto familiar pode desencadear traumas e quadros depressivos logo na infância.

3. Preciso dizer que te amo |  dir. Ariel Nobre | 2018 |

O longa é um documentário autobiográfico de Ariel Nobre, sobre a luta contra o suicídio de pessoas trans. O diretor é transexual e em 2015, após um ataque homofóbico, teve ideias suicidas e decidiu dizer a algumas pessoas que as amava. Assim surgiu o projeto “Preciso dizer que te amo”, que antes de se tornar documentário, foi uma exposição fotográfica. O filme começa com uma narração descrevendo o momento em que um personagem decide tirar a própria vida.

4. Garota, Interrompida | dir. James Mangold | 1999 | 14 anos |

A atriz Winona Ryder interpreta Susanna Kaysen, uma jovem que está na transição da adolescência para a vida adulta e tem problemas psicológicos e de comportamento, que a levam a tentar suicídio com uma dose de aspirinas e uma garrafa de vodca. Após o ocorrido ela é diagnosticada com Transtorno de Personalidade Limítrofe ou “borderline” e é internada pela mãe em um hospital psiquiátrico, onde viveu nos dois anos seguintes e teve contato com um novo mundo e conheceu Lisa Rowe, uma sociopata que organiza uma fuga com Susanna, e mais duas mulheres, com o intuito de retomarem suas vidas.

O filme é baseado no livro homônimo, uma autobiografia da própria Susanna Kaysen, que também passou por um hospital psiquiátrico. Além do suicídio, o filme aborda outros problemas psicológicos e como eram tratados na época (década de 60).

5. Elena | dir. Petra Costa | 2012 | 12 anos |

Este documentário tem o suicídio como ponto culminante. Elena, que dá nome ao longe, é irmã da diretora Petra Costa, que tem apenas sete anos quando a irmã viaja para Nova York para realizar o sonho de ser atriz de cinema. Vinte anos depois Petra decide ir atrás da irmã e por meios de pistas, diários e vídeos caseiros, acaba descobrindo que sua irmã se suicidou.

“Elena” vai além de um filme sobre uma experiência pessoal da diretora e busca levar as pessoas a reflexão sobre temas como o suicídio. Desde que foi lançado, o longa segue sendo usado em vários contextos de mobilização social, para gerar conscientização sobre depressão e suicídio. No site do filme é possível acessar orientações e materiais de suporte para a promoção de debates tendo o filme como ponto de partida.

6. As Horas | dir. Stephen Daldry | 2002 |

O filme aborda com sutileza a temática da depressão e como ela pode afetar a vida de três mulheres de formas diferentes. O elenco conta com três grandes e premiadas atrizes: Meryl Streep, Nicole Kidman (que recebeu o Oscar de Melhor Atriz por este filme) e Julianne Moore que vivem histórias independentes entrelaçadas pelo romance “Mrs Dalloway”, de Virginia Woolf. Uma dessas personagens é, inclusive, a própria autora, que vive no interior da Inglaterra com seu marido, em 1923, e tenta escrever o livro enquanto sofre de depressão e tem ideias suicidas.

7. Yonlu | dir. Hique Montanari | 2018 | 16 anos |

O longa é uma ficção com base em uma história real. Yonlu, como ficou conhecido o jovem artista Vinícius Gageiro, interpretado por Thalles Cabral, decidiu se suicidar aos 16 anos e fez isso com ajuda da internet. Por meio de uma rede de amigos virtuais em um fórum online sobre suicídio. O diretor teve a preocupação de compartilhar o roteiro com profissionais de saúde mental para que o tema e o ato do jovem artista não fosse glamourizado e considerado heroico.

8. Not Alone | dir. Jacqueline Monetta | 2012 | 16 anos |

O documentário parte da dificuldade de uma adolescente em compreender a decisão de uma amiga de se suicidar. E é a partir desta investigação que ela começa a se questionar sobre o motivo de a amiga não ter lhe dito nada.

Para realizar o longa, a diretora participou de debates, palestras, cursos, pesquisou na internet e conversou com vários adolescentes, para tentar entender e mostrar as motivações desse tipo de pensamento. Além de temas como preconceito, discriminação, família, pressão social, que geram o quadro depressivo e podem desencadear pensamentos suicidas, um dos temas mais presentes é o bullying.

9. As vantagens de ser invisível | dir. Stephen Chbosky  | 2012 | 14 anos |

Apesar de ser caracterizado como uma comédia dramática, que traz questões da adolescência, o longa apresenta Charlie (Logan Lerman), um jovem que sofre de depressão e após passar um tempo internado em um hospital psiquiátrico enfrenta dificuldades para interagir em sua nova escola. Ele viu seu melhor amigo se matar e também tem pensamentos sobre isso, mas encontra dois grandes amigos que o ajudam a enfrentar as dificuldades da doença.

O longa também é baseado no livro homônimo de 1999 (The Perks of Being a Wallflower), escrito pelo diretor em forma de cartas a uma pessoa anônima por um garoto de 15 anos.

10. Miss Violence | dir. Alexandros Avanas | 2013 | 18 anos |

O filme já começa com a cena do suicídio de Aggeliki (Chloe Bolota), no seu aniversário de 11 anos. Ela pula da sacada do prédio com um sorriso no rosto, o que é intrigante tanto para os espectadores como para a polícia, que passa a investigar a morte. A família insiste em dizer que foi um acidente, mas a trama vai se desenrolando e alguns segredos relacionados a uma  rotina de abusos físicos e psicológicos vão sendo revelados.

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