Lista: 15 produções audiovisuais protagonizadas por crianças negras

Descobrir-se negro é um processo que começa na infância e surge em quase todos os casos como resultado do preconceito. A ausência de personagens negros retratados de forma positiva nesse processo de formação da criança só faz com que essa ela cresça acreditando que ser negro é ruim, o que desencadeia a construção de uma imagem negativa de si mesma e afeta sua autoestima e a construção de sua identidade. Não só no audiovisual, mas também na literatura, nas bonecas e brinquedos, em geral, e nas histórias em quadrinhos a presença das crianças negras ainda é muito pequena.

Nos desenhos animados, principalmente os exibidos em TV aberta e no Brasil, um país com mais de 50% da população autodeclarada negra segundo o IBGE, a presença do negro ainda é pequena e muitas vezes, quando aparece, é como uma espécie de cota de personagem na produção, por exemplo, como o amigo do protagonista.

Alguns exemplos de personagens negros nos desenhos são a Tempestade e o Spike (sobrinho de Tempestade), no desenho X-MAN; John Stewart (único Lanterna Verde negro), em “A Liga da Justiça”; Kwane (representante da África), em “Capitão Planeta, a Diana, em “A Caverna do Dragão”, Dhalsim, de “Street Fighter”, entre outros. Além destes personagens, em 2017 o Cartoon Network anunciou a personagem Bliss (no Brasil, Estrelinha), uma menina negra e quarta integrante d’As Meninas Superpoderosas.

Separamos uma lista de seis curtas-metragens brasileiros e seus desenhos (nem todos brasileiros) que trazem histórias protagonizadas por crianças negras e abordam direta ou indiretamente a questão da representatividade e do racismo. Confira:

 

CURTAS-METRAGENS BRASILEIROS

● A câmera de João | dir. Tothi Cardoso | 2017 |
João vê uma faixa de luz passar por uma pequena perfuração e percebe que assim se faz a imagem. Ele descobre que fotografias são heranças. O curta de ficção narra a história de um garoto que descobre a paixão pela fotografia por meio de seu avô.

● Ana | dir. Vitória Felipe | 2017 |
O filme, resultado das oficinas do Instituto Querô, nos apresenta Ana, uma criança negra que não se enxerga como negra e não compreende a importância do reconhecimento de suas características. Ela conhece então Jeannette, uma refugiada do Congo e nova faxineira da escola, que percebe a situação e ajuda a menina na busca por sua valorização pessoal. Em breve o filme estará online na Spcine Play (uma plataforma de streaming de cinema nacional) e disponível por 90 dias.

 

Cores e Botas | dir. Juliana Vicente | 2010 |
Joana tem um sonho comum a muitas meninas dos anos 80: ser Paquita. Sua família é bem sucedida e a apoia em seu sonho. A grande questão é que Joana é negra e nunca se viu uma paquita negra no programa da Xuxa.

 

● Disque Quilombola | dir. David Reeks | 2012 |
Neste curta documentário, crianças do Espírito Santo conversam de um jeito divertido sobre como é a vida em uma comunidade quilombola e em um morro na cidade de Vitória. Por meio de uma genuína brincadeira infantil, os dois grupos falam de suas raízes, ensinam e revelam o quanto a infância tem mais semelhanças do que diferenças

 

● Dudu e o lápis cor da pele | dir. Miguel Rodrigues | 2018 |
Dudu é um garoto negro, inteligente e imaginativo, estudante de um colégio particular da classe média de São Paulo. Durante uma aula de educação artística, sua professora, Sônia, diz a ele que utilize o que ela chama de “lápis cor da pele” para pintar um desenho. A frase desperta em Dudu uma crise de identidade. Com toda a inocência de uma criança da sua idade, Dudu passa a carregar o lápis em questão consigo para encontrar alguém que possa sanar seus questionamentos. O curta também está disponível em libras.

 

Fábula de Vó Ita | dir. Joyce Prado e Thallita Oshiro | 2014
Existe princesa negra? Gisa tem um cabelo cheio de vida e personalidade, mas seus colegas da escola vivem debochando dela por conta disso. Nesta fábula de fantasia e realidade contada entre panos e tecidos, Vó Ita envolve sua netinha Gisele para lhe mostrar a beleza das diferenças e o valor de sua própria identidade.

 

● Maré Capoeira | dir. Paola Barreto | 2011 |
Maré é o apelido de João, um menino de dez anos que sonha ser mestre de capoeira como seu pai, dando continuidade a uma tradição familiar que atravessa várias gerações. O curta mistura ficção e documentário para contar uma pequena história de amor e guerra.

ANIMAÇÕES

● Alma Carioca – Um choro de menino | dir. William Côgo | 2002 |
O curta de animação brasileiro conta a história de um menino da zona portuária do Rio de Janeiro do início do século XX que testemunha o surgimento do Choro, quando encontra grandes mestres como Pixinguinha e João da Baiana, pioneiros desse gênero musical genuinamente carioca.

 

● Bino & Fino | dir. Adamu Waziri | 2015 |
A animação de origem nigeriana apresenta Bino e Fino, dois irmãos que vivem na África Subsaariana e, em cada episódio e com a ajuda de sua amiga Zeena, uma borboleta mágica e sua família, descobrem e aprendem coisas sobre a África e o mundo. O desenho educativo tem o objetivo de ensinar sobre a história e cultura africana com linguagem acessível a crianças.

 

● Doutora Brinquedos | dir. Estrada Norton Virgien | 2012 |
A série americana estreou em 2012 no Disney Channel e Disney Junior e mostra uma menina de seis anos que decide se tornar médica como a sua mãe. Ela então conserta bonecas e brinquedos com o seu estetoscópio que dá vida aos objetos. No Brasil a série é transmitida pelo canal Disney Junior.

 

● Guilhermina e Candelário | dir. Maritza Rincón González | 2012 |
A animação colombiana mostra o cotidiano cheio de descobertas e aventuras de dois irmãos negros, que levam uma vida simples e feliz, numa praia colombiana. O desenho retrata uma família como outra qualquer e tem a maioria dos seus personagens negros. É um dos primeiros desenhos do gênero com protagonistas negros a exibido na TV aberta brasileira.

 

Nossa Casa – As aventuras de Tip e Oh | dir. Ryan Crego e Thurop Van Orman | 2016 |
A série é a continuação do filme “Cada um na Sua Casa” e é uma produção original da Netflix. São aventuras de Tip, uma menina negra de 12 anos, e Oh, um alienígena desajeitado. O filme ficou famoso pela representatividade da protagonista, negra e com cabelos crespos e volumosos, algo raro nas animações feitas para o cinema, ainda mais no Brasil. A série pode ser encontrada no catálogo da Netflix.

 

● S.O.S Fada Manu  | dir. Jean de Moura | 2015 |
A série brasileira conta a história de Manu, uma menina comum que recebe o convite para se tornar uma fada. Ela precisa então se mudar com a sua família para o Reino Encantado e começar o seu treinamento. S.O.S Fada Manu é exibida no canal Gloob.

 

Super Choque | dir. Denys Cowan | 2000 |
O desenho americano retrata a vida de um garoto negro lidando com a vida, a escola, os preconceitos, as desigualdades sociais e ainda enfrentando vários inimigos com seus superpoderes e muito bom humor para manter a cidade de Dakota em paz. Os episódios abordam também desigualdades sociais, envolvimento com drogas e brigas com grandes corporações.

 

● Zarafa | dir. Rémi Bezançon | 2012 |
O longa de animação franco-belga apresenta um senhor que conta aos seus netos a história da bela amizade entre o menino Maki, de apenas 10 anos, e a girafa órfã, Zarafa. Eles ficam amigos depois que Maki foge de um traficante de escravos; os dois iniciam uma longa jornada de Sudão até Paris e vivem grandes aventuras. A história é baseada nas obras de Júlio Verne e recria a saga da primeira girafa a ser vista na França.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.