Para Alex Moletta, autor de “Fazendo cinema na escola”, o aluno também precisa aprender a ler o audiovisual

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“A abertura de uma mente ainda em formação para diferentes possibilidades de aprendizagem ajuda a formar um indivíduo com uma visão mais ampla do mundo e isso pode fazer toda a diferença, acredita Alex Moletta, autor do livro Fazendo cinema na escola, que participa de um bate-papo gratuito às 19h desta sexta-feira (21), na Unibes Cultural, na capital paulista.

O encontro propõe uma reflexão sobre algumas questões como o impacto do audiovisual nas novas gerações e sobre como tornar o aprendizado audiovisual acadêmico mais lúdico, simples e direto. Para participar é necessário se inscrever gratuitamente, clicando aqui.

Publicado em 2014 pela Editora Summus, o livro “Fazendo cinema na escola” é bastante didático e conta com uma linguagem simples que aproxima o leitor e jovem cineasta ao universo apresentado. A obra mostra que é possível aprender fazendo, pela tentativa e erro, e narra uma história fictícia de alunos que decidem criar um curta-metragem. A história vai mostrando o caminho, com erros e acertos, e as descobertas dos personagens, que vão investigando, buscando informações e tentando acertar como fazer. “O livro tem o objetivo de oferecer apenas uma proposta para a criação audiovisual tanto de educadores como de alunos ou interessados no tema”, explica.

O uso do audiovisual e do cinema como ferramenta pedagógica cresce cada vez mais e é visto pelo roteirista como algo inevitável, diante da nova geração de crianças e jovens. Como prender a atenção de crianças que hoje em dia passam horas diárias assistindo conteúdo audiovisual? Como fazer essa criança se interessar pela escrita e leitura tradicionais, se antes mesmo desse aprendizado, ela já foi introduzida no universo audiovisual? “O aprendizado dessa criança, na era digital, já se iniciou antes mesmo de entrar numa sala de aula. Na minha opinião o audiovisual precisa fazer parte do processo escolar. Crianças e adolescentes ‘nativos digitais’ já produziram mais vídeos do que escreveram em sua vida. Estamos tratando de um processo de mudança social que já está em andamento”, defende Moletta. Da mesma forma que aprendemos a ler e interpretar textos e obras literárias, é importante que o aluno hoje tenha contato com a linguagem audiovisual com orientação de um professor e aprenda a interpretá-la da mesma forma.

Para o roteirista, que já teve como alunos crianças em situação de risco, jovens cumprindo penas alternativas e crianças de escolas particulares de alto padrão econômico, o contato com esse e outros universos é indispensável para a formação da criança. “Apresentar outras práticas culturais a qualquer criança deveria fazer parte de toda instituição de ensino. O ato de aprender, a meu ver, precisa ser lúdico, curioso e provocar fascínio na criança, despertar o desejo de ‘descobrir’, de ‘conhecer’ o mundo que a cerca. Provocar o espírito investigativo da criança e lhe dar a autonomia de querer e desejar conhecer as coisas”.

Como logo na infância teve contato com arte na escola, por meio de um professor de literatura que montava peças teatrais na sala de aula, Moletta desenvolveu afinidade com o teatro, onde começou sua carreira. Mas o desejo e a paixão mesmo eram pelo cinema e foi no final dos anos 90, já formado em Artes Cênicas, que o roteirista, com sua primeira câmera VHS começou a gravar peças de teatro. Desde então, todos os passos foram rumo a seu primeiro trabalho relacionado ao ensino da iniciação cinematográfica.

“Em 2003, Luís Alberto de Abreu, que era meu professor de roteiro na Escola Livre de Cinema e Vídeo [de Santo André], me convidou para criar uma oficina de iniciação cinematográfica na cidade de Mauá, onde eu residia na época”, conta. Assim começava o projeto Primeiro Olhar, que oferecia oficinas de audiovisual e cinema totalmente gratuitas, e que orientou mais de 700 alunos, entre crianças e adolescentes, na produção de mais de 150 curtas-metragens até 2013. Foi a experiência das aulas e a necessidade de um material pedagógico sobre o assunto que fez com que ele se transformasse no primeiro livro de Alex:

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Criação de Curta-metragem em Vídeo Digital – Uma proposta para produções de baixo custo”, publicado pela Editora Summus em 2009 e atual até hoje. “A ideia de criar e produzir curtas com o mínimo de recursos possíveis oferecia possibilidades muito criativas como resultados e, ao meu ver, aumentava e muito a capacidade de formação do pensamento crítico do aluno”. Antes mesmo do projeto terminar, em 2009 a publicação do livro lhe rendeu um convite para o júri do festival Cinearte, de Vídeos Estudantis de Escolas Públicas da região de Itaquaquecetuba. “A produção de 35 curtas feitos pelos alunos com seus professores me deixou impactado e muito surpreso. Isso mudou minha visão sobre o alcance que o audiovisual poderia ter nos jovens”, lembra.

Uma coisa foi levando a outra de forma natural e, inspirado pelo festival, escreveu o livro “Fazendo Cinema na Escola”. “Ele surgiu como ‘uma proposta’ para possibilitar esse tipo de trabalho em sala de aula, mas não se restringe somente a professores, pois possui uma história de ficção conduzindo o conteúdo técnico e pedagógico”. Os dois livros se complementam e podem ser usados em sala de aula, tanto de base para o professor que pretende introduzir a prática entre os alunos, como também uma leitura de base para os próprios jovens se ambientarem com o assunto e com o meio.

Atualmente, Moletta desenvolve um projeto novo para o YouTube, o canal “MaisVideomundo – Educação & Audiovisual”, que será um espaço para reflexão sobre a dinâmica da linguagem audiovisual e o ambiente escolar.

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